Como o golpe funciona
Quem tem uma cota que não usa e não consegue vender é o alvo ideal. O contato chega por telefone, WhatsApp ou e-mail, de uma suposta empresa de intermediação, às vezes com nome parecido com o de empresas conhecidas. A conversa segue um roteiro:
- existe um comprador interessado, muitas vezes estrangeiro ou investidor;
- ele paga bem, às vezes mais do que você pagou;
- antes, é preciso pagar uma taxa: de anúncio, de avaliação, de cartório, de imposto ou de transferência;
- depois do pagamento, surgem novas taxas, ou o contato desaparece.
Sinais de alerta
- pedido de qualquer pagamento antecipado para vender;
- comprador que aparece sem você ter anunciado a cota;
- oferta acima do valor que você pagou;
- pressa e prazo curto para fechar;
- empresa sem endereço verificável, ou com CNPJ recente e sem relação com o setor.
Como se proteger
- não pague taxa antecipada para vender a cota;
- confira o CNPJ e o endereço da empresa e pesquise reclamações;
- desconfie de contato que você não pediu;
- se quer sair do contrato, o caminho é o jurídico: o distrato, com pedido de devolução do que foi pago. Veja o guia Como cancelar uma cota de resort.
Se você já caiu no golpe
Registre boletim de ocorrência, guarde todos os comprovantes e conversas e avise o seu banco o quanto antes. Isso não afeta o seu direito de pedir o distrato da cota contra o resort, que é outra relação.
Perguntas frequentes
Existe mercado para revender cota de resort?
Na prática, quase não existe. Há muito mais gente querendo vender do que comprar, e o próprio resort costuma vender cotas novas mais baratas do que a revenda. Por isso uma oferta de compra acima do valor pago é um sinal forte de golpe.
Já paguei a taxa. Consigo recuperar o valor?
Registre um boletim de ocorrência, guarde comprovantes e conversas e procure orientação. Conforme o caso, é possível tentar o bloqueio do valor junto ao banco e ações contra os responsáveis.
Fontes
- Código de Defesa do Consumidor, arts. 6º, III, e 37.
- Código Penal, art. 171 (estelionato).
